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Meio ambiente, um chamado contra qualquer retrocesso

 Meio ambiente, um chamado contra qualquer retrocesso
 
Em 5 de junho, celebramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data, já amplamente lembrada e festejada, nos convida a uma reflexão mais profunda durante todo o mês sobre a importância do meio ambiente e da sustentabilidade para nós, amazônidas, para a população mundial e para as futuras gerações. O período representa também um chamado para a luta contra qualquer retrocesso nessa área. 
 
 
No Brasil, detentor da segunda maior área de florestas do planeta, a questão não poderia ser mais relevante, diante de ameaças e pressões constantes sobre o nosso gigantesco patrimônio natural. A sustentabilidade infundiu novo sentido à economia, conferindo densidade ao processo produtivo à luz da preservação do patrimônio natural da Terra. 
 
 
A consciência ambiental parece ter atingido hoje um contingente bastante significativo da população global. No entanto, alguns governos, empreendedores e autoridades de Estado ainda relutam em reconhecer a questão como imprescindível à continuidade do desenvolvimento econômico mundial. 
 
 
Uma nação vocacionada para a agroindústria e detentora de imenso patrimônio ambiental, que ao mesmo tempo precisa alavancar sua economia e criar empregos, não pode repetir modelos predatórios de desenvolvimento. Tampouco adotar uma agenda imobilista. Nosso país figura hoje como um dos principais abrigos da esperança no desenvolvimento sustentável do século 21. E isso deve ser creditado, entre outros fatores, à crescente maturidade da consciência ambiental brasileira. 
 
 
Na Amazônia, a incorporação da conservação da ecologia local como prioridade já ultrapassou as raias do campo político. A cultura e o pensamento da população amazônica já não mais se dissociam da identidade preservacionista de seu ecossistema. Existem na região mais de 400 mil famílias vivendo da floresta e produzindo alimentos, cosméticos, artesanato e outros produtos e serviços que preservam o patrimônio natural e cultural de seus territórios. 
 
 
São famílias de agricultores tradicionais, assentados da reforma agrária, extrativistas, ribeirinhos, quilombolas, indígenas e pescadores artesanais, entre outros. Já foram mapeadas na Amazônia 341 cooperativas e associações de pequenos agricultores e 121 empresas que são potenciais compradoras de produtos da região. 
 
 
Além de reduzir o desmatamento, o sistema de produção sustentável garante ao agricultor familiar e aos povos e comunidades da Região Amazônica alternativas de geração de renda. 
 
 
Nesse contexto, o Fundo Amazônia cumpre o papel eminente de desenvolver projetos e programas relacionados à sustentabilidade da economia regional. Na verdade, todos os projetos devem estar alinhados com as políticas públicas aplicáveis e as diretrizes e os critérios adotados pelo seu estatuto. Em outras palavras, seu financiamento não-reembolsável destina-se a ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento.
 
 
 Ao promover a conservação e o uso sustentável das florestas da Amazônia Legal, o Fundo contribui para o alinhamento do País com as políticas internacionais de cunho progressista e ambientalista. Além disso, devem demonstrar contribuição direta ou indireta para a redução do desmatamento e da degradação florestal. Nessa condição, as ações previstas devem ser coerentes com o objetivo proposto, com o orçamento e com o cronograma de sua implantação. 
 
 
Em números, o Fundo Amazônia abriga, hoje, cerca de 100 projetos, apoiando outros dois mil. No total, os valores investidos mal excedem um bilhão de reais em orçamento anual, comprovando a máxima de que, com pouco, é possível fazer muito. Somente com as receitas obtidas com a comercialização de produtos arrecadam-se, aproximadamente, 150 milhões de reais.
 
 
Vale, igualmente, ressaltar o papel que a Zona Franca de Manaus cumpre, ao evitar a implementação de atividades não sustentáveis ou prejudiciais à sustentabilidade. De fato, há anos a Superintendência da Zona Franca de Manaus, Suframa, vem se moldando às novas exigências impostas pela economia moderna da sustentabilidade. Prevalece, sim, a progressiva percepção de que a sorte futura reservada à Zona Franca se fundamente na aposta de uma gerência associada à conservação do meio ambiente. 
 
 
Isso se justifica porque a identidade cultural e econômica da região está ligada ao ecossistema envolvente, agregando aí valores umbilicalmente atados à defesa do patrimônio ecológico. Portanto, a Zona Franca de Manaus não pode, apenas, ser analisada como um projeto de incentivo fiscal.
 
 
O que a diferencia dos outros programas é justamente a adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável. Como resultado, o desmatamento é contido por conta do polo industrial. Isso justifica a defesa do programa de renúncia fiscal vigente na região. 
 
 
Ao contrário do meu querido Amazonas, o Pará, por exemplo, tem um índice de desmatamento que resvala os 40% da mata local. Evidentemente, isso ocorre não porque o Pará seja menos ambientalista. Tal raciocínio seria extremamente redutor. Na verdade, o motivo é o modelo econômico instalado naquele Estado, que pressupunha o desmatamento. 
 
 
No caso do Amazonas, os benefícios à Zona Franca são uma contrapartida da União para que não ocorra o que se vê no vizinho. Caso contrário, como estabelecer que não se fomente a implantação da agricultura e da pecuária na Amazônia? Sabemos que é necessário desenvolver novas matrizes econômicas, mas sem prescindir da ZFM. 
 
 
Tenho a firme convicção de que o desenvolvimento sustentável passa pelo estreitamento das parcerias dentro da sociedade. Trata-se de semear uma nova postura de corresponsabilidade social e ambiental, para que o rosto do futuro não venha a ser a carranca que nos ameaça hoje. O maior resultado desse processo terá um valor inestimável para o nosso país, para o planeta e as futuras gerações. 
 
 
É meu desejo e trabalharei intensamente para que o Senado Federal se converta em polo político de alavancagem indispensável à retomada do crescimento econômico, com consciência preservacionista de nossa natureza. 
 
 
 
 

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