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O Brasil tem pressa

 O Brasil tem pressa
 
 
      Pesquisa divulgada recentemente pelo IBGE traz dados alarmantes num cenário econômico já nada animador: em julho, a atividade industrial caiu 0,3 % em relação ao mês anterior. A queda foi registrada em oito dos 15 locais investigados pela Pesquisa Industrial Mensal Regional.
 
 
           É a terceira queda seguida na produção. No acumulado do ano, o recuo chega a 1,7%, o que coloca o nível da atividade industrial no patamar de janeiro de 2009, uma década atrás!
 
 
             Em São Paulo, que concentra cerca de 34% da indústria do país, a queda foi de 1,4%. Detalhe: o recuo da indústria paulista só não foi maior por conta da alta no setor de veículos.
 
 
            A queda mais intensa, entretanto, foi registrada no nosso Estado, o Amazonas, onde a indústria encolheu 6,2%, cinco vezes a média nacional. Foi o pior desempenho da indústria amazonense de setembro do ano passado para cá. O resultado negativo foi puxado pela fabricação de concentrado de bebidas, que tem peso expressivo na indústria do Amazonas.
 
 
              Estamos longe de superar a mais longa e profunda crise da história nacional. Vários indicadores vêm apontando um ritmo extremamente lento de recuperação econômica. Se não agirmos com a devida presteza, esse cenário pode ganhar contornos ainda mais sombrios: especialistas do mercado financeiro já estimam uma queda de 0,29% na produção industrial em 2019. No início do ano, a expectativa era de uma alta de 3,04%.
 
 
            O Brasil tem pressa. Com as contas públicas estranguladas, um rombo fiscal crescente e uma multidão de brasileiros sem trabalho, é urgente adotar políticas eficazes de geração de renda e emprego.  
 
 
            Cabe ao Congresso Nacional a responsabilidade de acelerar a tramitação de reformas estruturais, como a reforma da Previdência e a reforma tributária, capazes de assegurar maior fôlego para a retomada do crescimento. Legislativo e Executivo precisam trabalhar juntos para baratear o Custo Brasil e garantir a segurança jurídica necessária para estimular investimentos privados. 
 
 
    Uma das muitas tarefas do governo federal é destravar obras de infraestrutura não raro paralisadas pela burocracia ligada a licenciamentos ambientais. Outro desafio importante, para a equipe econômica, é ter a devida firmeza na condução de políticas de expansão do crédito e redução da taxa de juros - o que exige medidas efetivas de ampliação da concorrência no sistema financeiro.
 
 
            Nesse momento de estagnação, é ainda essencial olhar para o Brasil como um todo, construindo um pacto federativo mais justo, incentivando as potencialidades de cada região e respeitando as profundas desigualdades que marcam um país de dimensões continentais.  
 
 
   Em vez de atacar gratuitamente a Zona Franca de Manaus, que gera centenas de milhares de empregos e ajuda a preservar a floresta amazônica, o ministro da Economia deveria, isso sim, apostar em modelos de desenvolvimento regional sustentável, capazes de multiplicar renda e emprego. 
 
 
            Incentivar a indústria no Amazonas, respeitando as vantagens competitivas asseguradas pela Constituição, é garantir trabalho, renda e oportunidades a centenas de milhares de trabalhadores, que, sem a Zona Franca de Manaus, teriam como única alternativa de sobrevivência o avanço sobre a floresta. Tecnologia e inovação são sinônimos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
 
 
             Vale lembrar que o segmento dos concentrados, principal responsável pela queda da atividade industrial no Amazonas,  impulsiona uma extensa cadeia produtiva no Estado. Estamos falando de um setor que envolve mais de 30 empresas e que gera 4 mil empregos diretos na região. Sem contar que a cultura do guaraná tem como base o uso sustentável da biodiversidade da Amazônia. São motivos de sobra para justificar nossa luta contra a redução das alíquotas de IPI dos concentrados. Não podemos correr o risco de perder nossas indústrias para um país vizinho, mais atraente do ponto de vista fiscal.
 
 
          Repito: o momento exige responsabilidade. Exige pressa e determinação. Os brasileiros não aguentam mais esperar.
 
 
 
 

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